Fonte: Cultura de Café no Brasil Novo Manual de Recomendações (Matiello, Santinato, Garcia, Almeida e Fernandes).
Doenças - Mancha aureolada e outras bacterioses
A mancha aureolada é uma doença causada pela bactéria Pseudomonas seringae pv.garcae, antigamente classificada como Pseudomonas garcae, que ataca folhas, rosetas, frutos novos e ramos de cafeeiro, atingindo mudas no viveiro e plantas no campo e ocorrendo principalmente nas regiões mais frias, no Paraná, em São Paulo, em Minas gerais (sul) e no Mato Grosso do Sul, sem problemas nas demais regiões cafeeiras. Recentemente, foi efetuada a primeira constatação em região de altitude elevada na Zona da Mata em Minas.
Nas folhas, a bactéria causa mancha de coloração pardo-escura, de 5 a 20mm de diâmetro, com necrose no centro. Pela ação do vento, muitas lesões ficam furadas. Em volta das manchas forma-se um halo amarelado, podendo ser facilmente observado, ao olhar a folha contra a luz, sendo essa a principal característica que distingue a doença de outras lesões parecidas. O maior número de lesões é localizado nas bordas das folhas, por onde, em ferimentos causados por danos mecânicos (agitação pelo vento), a bactéria encontra maior facilidade de penetração. As lesões de outras pragas e doenças também constituem porta de entrada para esse patógeno. A doença ocorre em períodos frios, quando a queda de temperatura vem associada a chuvas finas, sendo maior o ataque no período de julho a setembro. A doença é favorecida também quando tem início a retirada da cobertura das mudas, ficando essas sujeitas à variação de temperatura. As mudas atingidas ficam desfolhadas e o ponteiro morre, e como a sua recuperação é lenta, muitas chegam a morrer.
As lavouras novas, com até 3-4 anos de idade, são as mais atingidas, ocorrendo desfolha, seca de ponteiros, superbrotamento e retardamento no desenvolvimento das plantas.
Outras bacterioses de menor importância que ocorrem em viveiro são causadas por Pseudomonasccichorii.
Nas condições de campo, o controle deve ser preventivo com instalação de quebra-ventos, sobretudo na fase de formação do cafezal, adotando-se pulverizações adicionais de fungicidas cúpricos, quando houver a bacteriose, já que o cobre metálico é tóxico para as bactérias e controla outros males a elas associados (cercosporiose, antracnose).
Nas mudas deve-se proteger bem o viveiro e usar pulverizações com produtos cúpricos, associados ou não a antibióticos. Também tem sido eficiente o produto Kazumin.