A geada é formada pelo congelamento direto do vapor d’água existente na atmosfera, sem passagem pela forma líquida e ocorre quando a temperatura ambiental cai a níveis abaixo de 0ºC (ponto de congelamento da água). Nessas condições, o orvalho se transforma em geada.
O calor acumulado durante o dia pela crosta terrestre irradia-se durante a noite, provocando uma inversão de temperatura, de tal forma que, nas madrugadas de noites excepcionalmente frias, ocorre uma grande queda de temperatura nas camadas mais próximas do solo, formando o orvalho. Portanto, é completamente errada a expressão “cair geada”, já que o próprio orvalho não “cai”.
A geada ocorre com mais freqüência em regiões elevadas e frias. Normalmente, o fenômeno está relacionado com a passagem de frentes frias e costuma ocorrer nas madrugadas de noites frias, estreladas e calmas, com maior intensidade nos fundos de vales e regiões montanhosas e, menos intensamente, nas encostas ensolaradas.
No Brasil, a geada ocorre, principalmente, nos planaltos sulinos e nas áreas montanhosas da região Sudeste.
Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater–MG), o sul do estado possui cerca de 629 mil hectares plantados de café. A cultura gera quase 800 mil empregos em 117 municípios da região, além de representar 51% do total da produção mineira e 26% da produção nacional. Porém, a topografia do estado, com cerca de 57% de sua área em altitude superior a 600 metros, associada a fatores climáticos, favorece a ocorrência de geadas. Esse fenômeno climático é um dos mais temidos pelos produtores rurais. Tanto que, segundo a Fundação PróCafé, estima-se que, após uma geada severa, a safra de café, por exemplo, apresente prejuízos de até 80%.
A princípio, a geada pode ser definida como a deposição de cristais de gelo sobre as superfícies expostas, como galhos de plantas, fios, telhados e automóveis, quando a temperatura desce abaixo do ponto de congelamento. Porém, sob o ponto de vista agronômico, pode ser chamado de geada qualquer declínio de temperatura que seja capaz de causar danos às plantas, mesmo que não chegue a atingir o zero grau Celsius.
O tipo mais freqüente no Brasil é a geada mista, fruto da combinação dos efeitos da advecção e da radiação, para a qual é necessário o estudo dos fatores micro e macro climáticos. Já segundo o critério de aspecto, elas podem ser brancas ou negras. As geadas brancas são aquelas em que há deposição de cristais de gelo sobre as superfícies, por isso são as mais prejudiciais à lavoura. Quando não há umidade suficiente para a formação de cristais de gelo e a vegetação sofre apenas um resfriamento, dá-se o nome de geada negra.
Histórico de geadas e deficiência hídrica na cafeicultura
1886: A ocorrência de geadas no Brasil elevou os preços do café no mercado por dois anos.
1870: Uma grande geada atingiu drasticamente as magníficas plantações das férteis regiões do Oeste Paulista, seguindo-se intensiva seca e incêndios que se propagaram de Atibaia ao Paraná. No entanto, o café continuou o seu desenvolvimento, com o avanço das estradas de ferro e abertura de novas áreas.
1918: Grande geada reduziu a produção brasileira, causando elevação de preços.
1964: As geadas voltam a castigar as lavouras cafeeiras. Nesse mesmo ano, o IBC propôs a formação do Fundo Internacional do Café, com o objetivo de financiar a retenção dos estoques. O Brasil crescia com a construção de rodovias e começou a experimentar o "milagre econômico". Foi nessa ocasião que a inflação despontou como a vilã das crises econômicas que assustariam e desequilibrariam o País nos anos subseqüentes.
1969: Forte geada no Paraná, que destruiu cerca de 80% da safra seguinte, causando elevação dos preços.
1977: Preços altos, devido à forte geada em 1975 (que dizimou a cafeicultura no sul do País, com maiores efeitos no Paraná) e a ocorrência da doença fúngica "ferrugem alaranjada do cafeeiro", que foi se agravando desde a sua introdução no Brasil, em 1970. Nessa época, os preços do café tiveram os valores mais altos da história, quando atingiram cerca de 400 dólares por saca beneficiada de 60kg.
1979/81: Ocorrência de geadas em São Paulo e Minas Gerais.
1986: Grande elevação dos preços, em conseqüência do longo período de deficiência hídrica (seca) e do depauperamento dos cafeeiros no centro-sul do Brasil. Com o aumento do preço, as cláusulas do Acordo Internacional do Café deixaram de funcionar, passando a operar o mercado livre no exterior, resultando em queda do preço, após curto período de elevação.
1994: Ocorrência de duas geadas (junho e julho) que atingiram grandes áreas produtoras no Brasil. Praticamente todo o estado do Paraná, grande parte do estado de São Paulo e faixas consideráveis do Sul de Minas Gerais tiveram suas lavouras seriamente comprometidas pelos danos causados. Houve ainda longo período de deficiência hídrica após a ocorrência das geadas, retardando ainda mais a recuperação das lavouras. Os preços do café sofreram altas históricas nas cotações internacionais (245 cents de dólar por libra peso), chegando a superar 200 dólares por saca de 60kg.
Fontes: Secretaria Nacional de Defesa Civil, Revista Fapemig, Fazenda Águas Claras Cafés Especiais