Uma das definições do Dicionário Aurélio para a palavra História é: “narração de acontecimentos, de ações, em geral cronologicamente dispostos”. E a bela história do Centro de Inteligência do Café se encaixa nessa descrição. Até chegar ao momento atual, quando o CIC saiu do papel e se tornou uma realidade, foram cinco anos de reuniões, discussões, algumas frustrações e, finalmente, ações de coragem para investir em um projeto audacioso, que envolve todos setores da cadeia do agronegócio café.
Quando se fala em cafeicultura, logo vem à mente um cenário de montanhas cobertas de um verde escuro. Provavelmente pela influência do Sul de Minas, conhecido como a maior região produtora de café do país. Mas, ironicamente, foi à beira mar que a semente do Centro de Inteligência do Café foi plantada. As primeiras conversas, ainda informais, sobre a criação de um grupo de especialistas no assunto, que poderia captar, analisar e gerar informações de interesse de toda a cadeia produtiva, surgiram em 2001, em Angra dos Reis (RJ), durante o Encafé. Foi nesse encontro de profissionais ligados ao setor que pesquisadores, representantes da indústria, do comércio, do governo e, é claro, produtores começaram a vislumbrar a formação de um centro de inteligência para a cafeicultura. Mas as idéias precisavam amadurecer...
Foi assim que, ainda em 2001, a proposta de formação do que viria a se tornar o Centro de Inteligência do Café foi parar na universidade. Em dezembro daquele ano, foi realizada a primeira reunião formal, na Universidade de São Paulo – USP. O encontro, organizado pelo consultor Carlos Brando (um dos pilares da criação do CIC), reuniu vários professores universitários especializados em cafeicultura. Daquela primeira reunião, ficou a decisão de preparar novas propostas para posteriores discussões.
Nos anos seguintes, a idéia de formar um centro de inteligência quase sofreu um revés definitivo. Aqueles que acreditavam na viabilidade do projeto tiveram que se deparar com a falta de recursos financeiros e de vontade política para transformar idéias em ações. Até investimentos internacionais foram cogitados, mas sem sucesso. Faltava uma tomada de decisão, uma aposta de que o futuro da cafeicultura nacional depende não só de saber produzir, mas também de análises e informações estratégicas para toda a cadeia produtiva.
Se a semente do CIC foi plantada no litoral, foi nas montanhas de Minas que ela germinou. Em 2004, o projeto voltou a ganhar vida. O primeiro passo veio com o Agrominas, um dos Programas Estruturadores do Governo Aécio Neves. A criação do Agrominas foi um reconhecimento do Governador da importância do agronegócio café para o desenvolvimento social e econômico do Estado. O Agrominas tem o objetivo de promover planos e ações que vão ao encontro das necessidades mais evidentes da cadeia café, melhorando a qualidade do produto mineiro, incrementando a industrialização e o comércio, trabalhando na rastreabilidade e certificação e, conseqüentemente, agregando valor.
Mas por que não pensar grande, não só em Minas, mas também no País? Foi com essa idéia que o Secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Silas Brasileiro, uniu toda a sensibilidade de produtor rural à experiência de homem público e defensor da política nacional do café. Em 2005, com total apoio do Governador Aécio Neves e investimentos de R$ 285 mil, a Secretaria de Agricultura de Minas consegue mobilizar todos os representantes do agronegócio café do País e, finalmente, no dia 30 de junho de 2005, lança, em nível estadual, o Centro de Inteligência do Café.
O Centro de Inteligência do Café vira realidade nas terras de Minas, mas é de abrangência nacional. Essa abrangência se concretiza neste dia 23 de agosto de 2005, durante sessão solene presidida pelo Governador Aécio Neves, na Bolsa de Mercadorias e Futuros de São Paulo. Com a presença de autoridades governamentais federais e estaduais, a data ficará marcada pela posse dos Conselhos Gestor e Técnico do CIC. Ele foi criado para ser um órgão consultivo, técnico e de inteligência a serviço da política brasileira do café. Nasce da esperança de quem sonha com uma política sustentável para a cafeicultura e conta com o apoio de todos para realizar esse sonho.